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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Como Se Arrepender (parte 1) - James MacDolnald

*O texto a seguir foi adaptado de uma mensagem ministrada na Conferência “Heart-Cry for Revival” (Clamor do Coração por Avivamento) em abril de 2008, na Carolina do Norte, EUA.

Em determinada época da minha vida, tive um sonho que Deus usou para falar comigo. Eu estava passando por um período muito seco, espiritualmente. Começava a orar por algo e logo mais parecia estar mendigando do que orando. Tome muito cuidado com essa atitude de mendigar a Deus por coisas, porque passa a idéia de que precisa mais daquela coisa do que dele. É como se estivesse dizendo: “Tu não és suficiente para mim, Senhor; preciso daquilo”.

Eu conhecia bem as promessas das Escrituras, como, por exemplo: “...tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24). Eu reivindicava o cumprimento de tais promessas – e quando isso não acontecia, ficava desapontado. Comecei a pregar uma série de mensagens na igreja, intitulada Deus está operando mesmo quando não posso vê-lo, porque nenhum outro tema fazia sentido para mim. Orava e jejuava e dizia: “Senhor, não posso continuar assim. Não posso mais ministrar se não sair desse lugar seco”.

Foi então que tive o sonho. No sonho, vi Deus operando de forma muito poderosa, como só acontece em sonhos. Vi Deus passando pelo país inteiro, como um rio inundando e lavando a terra. Fiquei ali, observando, e uma imensa alegria enchia meu interior, alegria verdadeira, alegria de alma. Superava e ofuscava tudo que antes eu conhecesse por alegria.

Quando me levantei de manhã, havia um esboço na minha mente. Tinha estes cinco pontos:

Deus no trono: um quadro de santidade. Precisamos voltar a vê-lo assim. Perdemos a visão de um Deus elevado e exaltado. Deus é glória inefável. Ele habita em luz inacessível. Ninguém pode ver Deus e viver. Nosso Deus é um fogo consumidor (Hb 12.29). Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31). Precisamos voltar a ver Deus no trono: um quadro de santidade.

Pecado no espelho: um quadro de quebrantamento. Na igreja, hoje, vemos pecado nos jornais e na vizinhança; conseguimos enxergar pecado por toda parte, menos no espelho, quando estamos olhando para nós mesmos. A maioria dos cristãos é muito deficiente quando se trata de enxergar seu próprio pecado. Se você perguntar a um cristão típico: “Em que aspecto de sua vida Deus está tratando agora, no sentido de santificá-la? O que ele está fazendo?”, ele responderá: “Não sei”.

O ego na lama: um quadro de arrependimento. Queremos subir a níveis mais elevados, mas não queremos descer antes. Toda nossa celebração superficial nunca toca o âmago da questão. Isaías dizia que eram “ofertas vãs” (Is 1.13). O ego na lama significa descer aos lugares mais humilhantes. Até onde seu ego já foi rebaixado?

Cristo na cruz: um quadro de graça. A graça só é impressionante quando é vista como o remédio para um problema visto e reconhecido. Graça sem pecado é inútil. É um remédio para uma doença que não admito possuir. Por outro lado, quando você vê pecado no espelho e o ego na lama, a graça é incrivelmente maravilhosa.

O Espírito no controle: um quadro de poder. O Senhor me deu Oséias 6.1-3 como tema desse esboço: “Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou, e nos sarará; fez a ferida, e a ligará...” Eu amo especialmente esta promessa: “Como a alva a sua vinda é certa”. O sol nasceu hoje de manhã? Então, da mesma forma, Deus saiu para realizar sua obra no mundo, assim como faz todos os dias.

Primeiro passo no avivamento

Meu tema é o ponto central na lista acima: o ego na lama: um quadro de arrependimento. Arrependimento é o funil pelo qual passa todo avivamento. Você quer que seu coração seja tocado? Quer alcançar um lugar mais alto em Deus? Comece com arrependimento.

A palavra avivamento não está na Bíblia como substantivo. O verbo avivar (vivificar), porém, está. “Vivifica-nos, e invocaremos o teu nome” (Sl 80.18). “Desvia os meus olhos para que não vejam a vaidade, e vivifica-me no teu caminho” (Sl 119.37). “Estou aflitíssimo; vivifica-me, Senhor, segundo a tua palavra” (Sl 119.107, uma oração durante tempo de provação).

Arrependimento é o primeiro passo para o avivamento. Uma passagem clássica no Novo Testamento encontra-se em 2 Coríntios 7, que mostra uma verdade importante: arrependimento é uma boa coisa.

A igreja em Corinto era uma igreja problemática. Era composta de pessoas mundanas, sectárias, carnais. Paulo escreveu algumas cartas aos coríntios, duas das quais foram preservadas no Novo Testamento. Além disso, ele passou pela cidade de Corinto várias vezes.

As coisas que estavam acontecendo lá estavam entristecendo o coração de Paulo. Na segunda carta aos Coríntios, ele faz referência a uma carta anterior: “Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo)...” (2 Co 7.8).
Nessa carta anterior, ele havia escrito, com termos bem fortes, mais ou menos o seguinte: “Vocês estão fazendo isso e aquilo. Parem de agir assim!” Paulo os amava e sabia que era difícil para eles ouvir palavras como essas. Dá a impressão de que ele teve alguns momentos de dúvida. “Será que falei demais? Fui duro demais com eles? Eu os amo. Não quero afastá-los.” Se você já passou por algo assim, sabe que esse tipo de situação parte o coração. Você não quer falar muito. Se não dá para apanhar o fruto, pelo menos não o machuque!

Entretanto, a igreja em Corinto precisava ouvir essas palavras, e alguém precisava dizê-las. Paulo disse que foram contristados ou feridos pela verdade apenas “por breve tempo”. Por quê? O Espírito Santo penetrou seus corações, sentiram-se contristados (com convicção de pecados) e se arrependeram.

Paulo escreveu: “Agora me alegro, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento” (v. 9). Em outras palavras, Paulo disse: “Agora estou tão feliz que disse aquelas palavras. Foi duro por um tempo. Eu não os queria perder, mas agora vejo que o Espírito Santo usou minhas palavras para trazer convicção, e isso quebrantou seu coração. Agora vocês se arrependeram, e estou muito contente que Deus tenha feito isso”.
Eis a chave: arrependimento.

Arrependimento em toda a Bíblia

Era essa a mensagem que se ouviu da boca de cada mensageiro bíblico. É impossível não percebê-la no Velho Testamento. Todos os profetas pregavam a mesma mensagem: “Arrependa-se!”. Ezequiel, Isaías e Oséias a pregavam: “Arrependa-se!”. A mesma mensagem foi pregada vez após vez após vez. Por quê? Porque é o funil pelo qual passa toda graça! Se Deus conseguir nos levar a um lugar de arrependimento, a partir daí tudo será abençoado. Contudo, enquanto não chegarmos a essa posição, nosso serviço para o Senhor será ineficaz.

Alguns argumentam que os entusiastas por avivamento só pregam do Velho Testamento. Vá ao Novo Testamento, então. Veja João Batista; sobre o quê ele pregava? “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). E os discípulos? Em Marcos 6.12, lemos que “saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse”. E, em Lucas 15.7, que “haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”.

E na igreja primitiva? No dia de Pentecoste, mais de 3 mil pessoas se converteram. Qual foi o assunto naquela ocasião? “Arrependei-vos!” Era esse o assunto em Atos 2. E, novamente, em Atos 3.19,20: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que da presença do Senhor venham tempos de refrigério...”

Vocês querem tempos de refrigério, querem mesmo? Arrependam-se, para que venham tempos de refrigério. E a exortação em Atos 17.30: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam”.

Talvez você pense que era essa a mensagem dos apóstolos, mas não o coração de Jesus para nós. Leia Apocalipse 2.16: “Portanto, arrepende-te...”. Foi a mensagem de Jesus para a igreja em Pérgamo. “…e se não, venho a ti sem demora, e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.” Em Apocalipse 3.19, Jesus diz: “A quantos amo…” Hoje, que tipo de mensagem daríamos à Igreja? “A quantos amo, eu abençôo? Paparico? A quantos amo, favoreço com toda sorte de maravilha?” Não é assim que Jesus age. “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te.” Esse é o coração do Senhor para nós hoje, desejando que alcancemos um lugar de genuíno arrependimento.

O que é arrependimento?

Eu acho que a maioria das pessoas não sabem o que é arrependimento. Elas vivem a vida cristã e o processo de santificação de acordo com 1 João 1.9: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". "Se confessarmos os nossos pecados..." – você sabe o que isso significa? Eu ouvi um estudioso da Bíblia dizer uma vez que confessar significa dizer o que Deus diz. O que Deus diz sobre pecado? Ele diz que é pecado. Então, o que eu digo? "É pecado, Deus. Perdoa-me, Deus, eu pequei novamente.” 1 João 1.9 diz: “…fiel e justo para nos perdoar”. “Sinto muito, Deus. Perdoa-me, Deus.” Que conceito medíocre de confissão!

Antes que você possa dizer o que Deus diz sobre pecado, você precisa ver o que ele vê. Arrependimento é o processo de ver o que Deus vê. Você nunca confessará de verdade enquanto não se arrepender antes. Confissão é fácil se vier depois do processo extremamente difícil de arrependimento. Se arrependimento fosse fácil, todos estariam se arrependendo. A maioria dos cristãos está presa em um ciclo de pecado, confissão, pecado, confissão, pecado, tomando posse da graça, citando 1 João 1.9 – mas sem qualquer mudança. Arrependimento é o processo de ver o pecado como Deus o vê. Não é uma coisa fácil de se fazer.

Arrependimento é mudança em todas as maneiras e em todos os níveis. Arrependimento não é mudar de cônjuge, de emprego, de endereço ou de amigos. Arrependimento é mudar no lugar em que é mais necessário. Arrependimento é mudar o interior da pessoa – a maneira como penso, como vejo, como sinto. Arrependimento não leva à mudança; arrependimento é mudança. Arrependimento é reconhecer o pecado pelo que é, seguido por uma tristeza do coração e culminando em uma mudança de comportamento. Você não se arrepende, e arrepende, e arrepende, e arrepende sobre as mesmas coisas, vez após vez. Não é que não possamos ter recaídas, mas arrependimento é mudança. Não penso mais sobre o pecado da mesma forma.

Arrependimento é minha mente, minhas emoções, minha vontade; é a totalidade de quem eu sou. Pense sobre a história do filho pródigo (Lc 15.11-32). Ele roubou a herança e acabou indo morar com porcos. Então, de repente, a Bíblia diz que ele caiu em si. Teve uma mudança de mente.

A Bíblia diz que arrependimento é um ato realizado em Deus (Jo 3.21). Você não o consegue fazer por si mesmo. Em Atos 5.31, diz: "Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados." Deus oferece isso a você. E veja em Atos 11.18: "E ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para a vida".

Em 2 Timóteo 2.25, encontramos uma passagem clássica sobre o arrependimento ser uma obra de Deus. Paulo diz que os servos de Deus devem disciplinar "com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem a verdade...".

Você não consegue ver a verdade por si mesmo. Se você ou alguém que você ama é prisioneiro do pecado, fica impossível para vocês enxergá-lo. Quando o filho pródigo estava naquele chiqueiro e voltou à razão, foi porque Deus o havia tocado. De repente, ele olhou em volta de si e pensou: “O que estou fazendo aqui?”.

Portanto, em primeiro lugar, ele teve uma mudança de mente. Depois teve uma mudança de coração. Ele teve este sentimento: “Não sou mais digno de ser chamado filho. Mereço ser escravo”. Passou a pensar de modo diferente sobre si mesmo. Antes ele estava inchado, mas depois voltou à razão e caiu em si.

Ele teve uma mudança de mente e uma mudança de coração, mas ainda faltava uma outra parte do arrependimento. Quando alguém realmente está se arrependendo, a vontade começa a unir-se à mente e a formar um plano. “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi...” Quando a pessoa está verdadeiramente arrependida, não precisa dizer-lhe o que fazer. Ela descobre por si mesma quando Deus faz a obra em seu coração. Arrependimento é mente, é emoção, é vontade.


James MacDonald é pastor da Harvest Bible Chapel, Rolling Meadows, Illinois, EUA.

Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 27 nº 1 - Janeiro/Fevereiro 2009

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