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terça-feira, 27 de abril de 2010

Como Se Arrepender (parte 2) - James MacDolnald

Arrependimento antes de avivamento

Todas as bênçãos que Deus quer derramar para nós vêm através deste funil de arrependimento; arrependimento em mim antes de avivamento em mim. Quando foi a última vez que Deus tratou com você por algum pecado? Quando foi a última vez que seus olhos se encheram de lágrimas por causa da obra incompleta de santificação em sua vida? Quando foi a última vez que Deus quebrantou seu coração por causa da lacuna entre Jesus e você? Quer avivamento? Arrependimento é o ponto de partida.

Algumas categorias de pecado

O Espírito de Deus não traz convicção sobre generalidades. O Espírito de Deus é como um cirurgião: “Isto precisa ser cortado”. Vamos começar a sondar:

A primeira categoria é orgulho, a segunda é prazer e a terceira é prioridade. Sob a categoria de orgulho: orgulho sobre sua posição. Se você quer ser apresentado, se quer ser conhecido, se quer ser reconhecido, se tem uma posição e está ansioso que os outros saibam quem você é ou o que conquistou, você tem um problema de orgulho. Orgulho é anti-Deus; onde há orgulho, Deus não está.

Logo depois vem o orgulho de prestígio – meu status. Eu preciso de aplauso, preciso de reconhecimento. Depois vem orgulho de poder. “Não preciso de posição e prestígio; tenho poder. Eu governo minha casa.” Dominar os outros, usar minha influência é orgulho. Deus é capaz de humilhar aqueles que andam em orgulho (Daniel 4).

Uma segunda categoria de pecado é prazer. Prazeres não são errados, mas desejá-los com a intensidade errada, na hora errada ou com a pessoa errada torna o prazer pecado. O primeiro na categoria de prazer é sexo: minhas necessidades, quando quero, da maneira que quero, aquilo que quero. É pecado. E, em segundo lugar, uma substância, legal ou ilegal. “Eu tenho que possuir ou conseguir isto.” A compulsão de ter algo além de Deus é pecado. Não esteja sob o domínio de nada além de Deus, seja uma pessoa, uma situação ou uma substância legal ou ilegal. Pela graça de Deus, como seguidor de Jesus, não aceito estar sob o domínio de coisa alguma. Se eu estiver, é pecado.

Em seguida vêm “coisas”. Dizemos a nós mesmos: sei que vou ser feliz quando eu tiver aquele carro, aquela casa, aquela viagem, etc. Por um lado, há pessoas que pensam que as coisas são más em si mesmas e querem fazer votos monásticos. Isso não leva à santidade. Por outro lado, há pessoas que pensam que bênção e riqueza são a mesma coisa. Precisamos de equilíbrio. Salmo 62.10 diz, “...se as vossas riquezas prosperam não ponhais nelas o coração”. Não é errado ter coisas; é errado que elas me possuam! Deus não divide o trono com ninguém. Quando penso que coisas materiais podem me dar felicidade, me satisfazer e me dar algo que só Deus pode dar, isso é idolatria. Se é idolatria, é pecado.

Em terceiro lugar, tem uma categoria geral de prioridades, o bem que não foi feito. Tiago diz que se você sabe fazer o bem e não o faz, é pecado (Tg 4.17). A primeira prioridade é com relação de não cuidar de mim mesmo. O meu corpo é templo do Espírito Santo, e não cuidar de mim – comer excessivamente, não se exercitar, trabalhar demais, não ter lazer, não ser uma pessoa equilibrada ou não viver de maneira saudável – é pecado. Preciso cuidar de mim mesmo. Quero servir a Deus por quantos dias ele me der, mas servir demais ou ter lazer demais não é honrar a Deus. Precisamos de equilíbrio.

A segunda prioridade é os outros. Deus dá valor aos relacionamentos e às pessoas. Seja amável, bondoso, perdoador. Abrigar no coração ressentimento e falta de perdão como resultado de alguém que me feriu é um câncer para a alma, e é pecado. Precisamos arrepender-nos disso. “Estou errado, Deus, não posso guardar isso contra ela. Preciso liberá-la disso”.

Guardei o melhor para o final – o maior prioridade é Deus em primeiro lugar. Deus primeiro em meu dia, Deus primeiro em minha semana, primeiro e com a maior prioridade em minha vida. “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3).

Avivamento é apenas um sonho até que sejamos específicos e nos arrependamos de pecados específicos. Não apenas dizer: “Ó Deus, quero ser um cristão melhor”. Precisamos nos arrepender.

Marcas de arrependimento

Em 2 Coríntios 7, vemos cinco marcas de genuíno arrependimento. Uma base bíblica para identificar marcas de arrependimento é Lucas 3.8: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento”. Em outras palavras, embora não possa ver dentro do seu coração, quando o arrependimento existe no coração, este é o fruto que estará na árvore. Jesus disse: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). Então, podemos saber se alguém está arrependido, mas talvez não de imediato. A pessoa pode fazer a oração, dizer as palavras e derramar as lágrimas, e, com o tempo, você verá os frutos. É por isso que lemos em Atos 26.20: “...que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento”.
A primeira marca de verdadeiro arrependimento é tristeza pelo pecado. Paulo diz em 2 Coríntios 7.9-10: “...fostes contristados segundo Deus... Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação”.
A expressão mais clara sobre os sentimentos que acompanham o arrependimento em toda a Palavra de Deus é tristeza. Mas nem toda a tristeza é arrependimento. O apóstolo Paulo diz que tristeza segundo o mundo é algo como: “Estou triste por sentir-me tão mal”, “Sinto muito que fui descoberto”, “Sinto muito por ter prejudicado tanto minha imagem”, “Sinto muito porque não gostas disso, Deus”. É um “Sinto muito por mim...”, “Sinto muito por mim...” em contraste a uma verdadeira tristeza de coração pelo que fiz contra Deus.

O pecado é antes de tudo uma rejeição a Deus. O pecado diz: “Tu não tens razão sobre isso, Deus. Não vou sofrer por isso, Deus. Tu não podes satisfazer esta necessidade em mim, Deus. Eu preciso possuir isso, Deus”. Pecado é uma rejeição a Deus. Genuíno arrependimento é uma rejeição desse pensamento errado. Começa com uma tristeza santa, angústia da alma. A primeira marca de verdadeiro arrependimento é tristeza pelo pecado. Só Deus pode concedê-la.

A segunda marca é repulsa pelo pecado. Veja o versículo 11: “Porque quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados!” O verdadeiro arrependimento de coração é óbvio, é zeloso, tem pressa, diligência. “Estou farto de minha boca fofoqueira.” “Não aguento mais meu olho lascivo.” “Estou cheio desse vício debilitante.”
Note no versículo 11: “que indignação”, um sentimento de forte desconforto e oposição em que o objeto antes desejado se torna repulsivo. “Não desejo aquilo mais. Não o suporto.” Então um dos frutos do arrependimento é repulsa. É quando “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” torna-se realidade (Rm 13.14). Só Deus pode conduzi-lo para um lugar onde você cai em si e vê o pecado pelo que realmente é.

Eu acredito, porém, que você pode cultivar um coração arrependido. Você pode buscar ao Senhor. “...arai o campo de pousio; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova a justiça sobre vós” (Os 10.12), e: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13). Você pode buscar a Deus por arrependimento. Se pedir pão, ele lhe dará uma pedra? Deus não é relutante em conceder arrependimento, mas não creio que seja algo fácil de se conseguir: tristeza pelo pecado e repulsa pelo pecado. “Que cuidado... que indignação...”

A terceira característica do arrependimento é restituição a outros. Note também que em 2 Coríntios 7.11 Paulo diz: “que defesa”. É a idéia de empenhar-se para consertar as consequências do pecado. Quando você está realmente arrependido, você não vê a hora de acertar tudo com as pessoas que seu pecado feriu. Muitas pessoas na igreja dizem estar bem com Deus, mas não estão bem com aqueles que foram feridos pelo seu pecado. “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).

Que Deus nos perdoe por afirmarmos que estamos bem com ele, levantando mãos “santas” para ele, ao mesmo tempo em que ignoramos totalmente como nosso pecado afetou outros. Versículo 11 diz: “Em tudo destes prova de estardes inocentes neste assunto”. Você já fez tudo o que poderia ser exigido. Empenhou-se para ver o relacionamento restaurado.

Fonte: O Arauto da Sua Vinda, Ano 27 nº 1 - Janeiro/Fevereiro 2009

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