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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Cruz nos Ensina a Obediência - João Calvino


1. O Senhor tem ainda uma outra razão para afligir seus filhos, a de provar sua paciência e ensinar-lhes a obediência.

Certamente, os cristãos não podem mostrar outra obediência a não ser aquela recebida pelas mãos de Deus; Ele se agrada em provar e demonstrar as graças que tem conferido a Seus santos, pois, de outro modo, permaneceriam ocultas e seriam inúteis.

Quando os servos de Deus manifestam abertamente seus dons de fortaleza e firmeza em meio a seus sofrimentos, a Escritura lhes confirma que Deus esta provando-os em sua paciência.

Vejamos o que diz Gênesis 22.1: "E aconteceu depois destas coisas que provou Deus a Abraão..." O patriarca provou que sua devoção era autêntica pois, não recusou sacrificar a seu filho Isaque.

Por este motivo, Pedro declara que nossa fé é provada por meio das tribulações, assim como se prova o ouro por meio do fogo.

2. Quem pode negar a necessidade que este precioso dom da paciência, que o crente tem recebido de Deus, seja aperfeiçoado na prática de maneira que o Senhor possa ver os crentes no exercício do mesmo? Ademais, se não fosse assim, nunca chegaríamos a apreciá-lo como é devido.

Deus mesmo atua a tempo para que estas virtudes não cheguem a ser obscuras e inúteis, oferecendo-nos uma ocasião para pô-las em prática.

Esta é, sem dúvida, uma das melhores razões para provar aos santos, que é por meio da aflição que aprendem a exercitar a paciência.

3. Os cristãos também são instruídos por meio da cruz para a obediência, porque desta maneira aprendem a seguir os desejos de Deus e não os seus próprios.

Se tudo fosse conforme os seus desejos, não entenderiam o que na realidade significa seguir a Deus.

Sêneca disse que havia um antigo costume pelo qual se exortava as pessoas a sobressaírem-se das adversidades recordando estas palavras: "Segue a Deus."

Isto implica que o homem se submete ao jugo de Deus só quando voluntariamente aceita a disciplina com a humildade de uma criancinha.

Portanto, se é razoável que nos mostremos obedientes a nosso Pai celestial em todas as coisas, não podemos negar-lhe o direito de usar o meio que Ele escolhe para acostumar Seus filhos a praticar esta obediência. Ver Gen. 22.1,2 e 1 Ped. 1.7.



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