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quarta-feira, 23 de março de 2011

O Que é Idolatria? - Mark Driscoll


O oposto de adoração é idolatria. Todo ser humano, em cada momento de sua vida, hoje e na eternidade está incessantemente fazendo o primeiro ou o último. Sobre esse ponto N. T. Wright diz:

Os cristãos não são definidos pela cor de sua pele, pelo gênero, pela localização geográfica, ou até mesmo, surpreendentemente, por seu bom comportamento. Também não são definidos por um determinado tipo de sentimento religioso que possa ter. Eles são definidos em termos do Deus que eles adoram. É por isso que dizemos no Credo no coração de nossas liturgias regulares: nós somos definidos como pessoas que acreditam nesse Deus. Todas as outras definições da igreja estão abertas a distorções. Nós precisamos de teologia, precisamos de doutrina, porque se não temos, outra coisa virá para ocupar o seu lugar. E qualquer outra marca para a definição da igreja nos moverá na direção da idolatria.

Adoração é um entendimento biblicamente fiel de Deus combinada com uma resposta biblicamente fiel a Ele. Por outro lado, a idolatria é um entendimento antibíblico e infiel de Deus e/ou a resposta antibílbica e infiel a Ele.


Não acredite na propaganda*

Subjacente a idolatria é a mentira. Em João 8:44 Jesus descreve Satanás como “o pai da mentira”. A mentira em suas várias formas diz que você é deus, você pode se tornar um deus, você é uma parte de deus, você é digno de ser adorado como deus, você pode ser a fonte de sua própria identidade de vida e significado, você pode transformar a si mesmo, e pode transformar o mundo e seus problemas de pecado como uma espécie de herói/salvador. A resposta, portanto, não é olhar para fora de Deus para identidade, significado, percepção e salvação. Pelo contrário, a resposta é olhar para dentro de si para identidade, significado, percepção e libertação pessoal. A resposta, diz a mentira, encontra-se em mim e não em um Deus Criador que é separado e que governa sobre mim. É útil para esse processo interior coisas como drogas, transes, yoga, meditação, auto-estima, auto-realização, auto-aperfeiçoamento e auto-ajuda, todas as quais permitem que uma pessoa vá adentro de paz, harmonia, e iluminação, é dito, permitindo-lhe experimentar a unicidade com a consciência divina.


Trocando a verdade pela mentira

Repetindo Jesus, Paulo analisa a adoração e a idolatria brilhantemente em Romanos 1:18-32, contrastando a “mentira” da idolatria e a “verdade” da adoração. Sua declaração tese sobre tudo isso é Romanos 1:25, que fala de idólatras que “mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”.

A verdade é o que vamos chamar de dualismo (dois-ismo). O dualismo é a doutrina bíblica de que o Criador e a criação são distintos e que a criação está sujeita ao Criador. Visualmente, você pode pensar nisso em termos de dois círculos, sendo um o Deus Criador e o outro contendo toda a Sua criação.

A mentira é o que chamamos de monismo (um-ismo). O monismo é a doutrina pagã e idólatra de que não há distinção entre o Criador e a criação e/ou a negação de que existe um Criador. A forma materialista de monismo é o ateísmo. O monismo espiritual é também frequentemente chamado de Nova Era, Nova Espiritualidade, ou Espiritualidade Integrativa.


A idolatria é interna

Enquanto a idolatria manifesta-se externamente, ela se origina internamente. Isso é primeiro revelado em Ezequiel 14:1-8 quando Deus repreende os anciãos de Israel, que “levantaram os seus ídolos em seus corações”. Na verdade, antes que alguém veja um ídolo com seus olhos, segure-o em suas mãos, fale dele com seus lábios eles o levantam em seus corações. O que isso significa é que eles violaram os dois primeiros dos Dez Mandamentos escolhendo algo como um deus funcional que eles desejam em seus corações, e logo o adorando por suas palavras e atos.

As idéias de Martinho Lutero sobre a idolatria – que a idolatria começa no coração do adorador – estão entre o mais perceptivos que o mundo já conheceu. Lutero diz,

Muitos pensam que tem Deus e todas as coisas em abundância quando tem dinheiro e posses, ele confia nelas e gaba-se delas com tal firmeza e segurança quanto aos cuidados de qualquer um. Eis que tal homem tem um deus, por nome Mamom, e.g., dinheiro e posses, nos quais ele coloca todo seu coração, e que são os ídolos mais comuns na terra. ... Assim, também, qualquer que confia e se gaba de que possui grandes habilidades, prudência, poder, favor, amizade e honra tem também um deus, mas não o verdadeiro e único Deus. ... Por isso repito que a explicação principal dessa questão é que para ter um deus é ter algo em que o coração confia totalmente. ... É assim com toda idolatria, pois não consiste unicamente em erigir uma imagem e adorá-la, mas sim no coração. ... Pergunte e examine ao seu coração com diligência, e você vai descobrir se ele se une somente a Deus ou não. Se você tem um coração que não pode esperar nada Dele a não ser o que é bom, especialmente na necessidade e angústia, e que, além disso, renuncia e abandona tudo o que não é Deus, então você tem o único Deus verdadeiro. Se, pelo contrário, une-se a qualquer outra coisa, de que espera melhor e ajuda do que de Deus, e não se refugia Nele, mas na adversidade foge Dele, então você tem um ídolo, um outro Deus.


Maneiras de evitar a idolatria

Para aqueles que querem evitar a idolatria, as idéias a seguir podem ser úteis:

* Tenha cuidado de fazer uma coisa boa, como casamento, sexo, filhos, saúde, sucesso, ou estabilidade financeira, uma coisa final, ou que Jesus chamou de “tesouro”.

* Evitar participar de qualquer comunidade religiosa onde as claras verdades reivindicadas das Escrituras são ignoradas enquanto práticas contemplativas e místicas são favorecidas simplesmente por sua experiência espiritual.

* Tenha cuidado com qualquer igreja ou ministério em que os atos de misericórdia e gestão ambiental são desprovidos de uma teologia da cruz e acaba sendo pouco mais do que culto a pessoas e coisas criadas.

* E tome cuidado para não adorar uma coisa boa como um deus coisa para aquilo que é uma coisa má.


(*) No inglês é a palavra ‘hype’ que significa, basicamente, publicidade exagerada, positiva ou promoção de um produto através da mídia. Portanto, acreditando que o ‘hype’ seria confiar na publicidade sobre o que está se referindo.


Fonte: The Resurgence

Tradução: Phelipe

Blog: pheliprey.blogspot.com

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