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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Como a Adoração nos Transforma? - Mark Driscoll


Porque adoramos de nossa maneira no pecado, em última análise, precisamos adorar fora de nossa maneira. Quando cristãos cometem pecado, eles não cessam de adorar. Contudo, sua adoração é dirigida para longe do Criador em direção as coisas criadas. Arrependimento é o ato de abandonar o pecado e voltar-se a Deus confiando em Jesus Cristo que é o perfeito adorador. Este fato ajuda os idólatras a se tornarem adoradores. João só tinha isso em mente quando sumarizou sua epístola inteira com a frase final, “guardai-vos dos ídolos” (1 João 5:21).


Conheça seu ídolo

Depois de um sermão sobre namoro, uma jovem que afirmava ser cristã, estava namorando, dormindo, e vivendo com um não-cristão veio à frente para orar. Ela me pediu para orar para que Deus salvasse seu namorado para que, então, eles pudessem se casar e ser uma família cristã. Eu então citei Romanos 11:36-12:1 para ela: “A Ele seja a glória eternamente. Amém. Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Eu expliquei a moça que sua cama era um altar pagão, e quando ele se deita nela com seu namorado, ela estava apresentando seu corpo como um sacrifício vivo ao cara como seu deus real, e a fornicação deles era sua adoração idolatra da coisa criada, nomeadamente seu namorado. Então, ela estava escolhendo o cara em vez de Jesus como a pessoa mais importante de sua vida, a base de sua identidade, a fonte da sua alegria e amor e esperança por afeição.


Lágrimas entre dois deuses

Um jovem rapaz sofreu por alguns meses e os vários medicamentos que ele tomou não o ajudaram. Ele era um novo-cristão e sua família era declaradamente anticristã e estava muito irritada que ele tinha se convertido ao cristianismo e que estava grandemente alegre com coisas como atender na igreja, comunhão, e leitura da Bíblia. Sua extensa e imediata família era muito fechada, eles estavam o evitando e zombando dele de uma maneira para fazê-lo parar de praticar sua fé. Quando isso não funcionou, seus pais cortaram sua escola particular, o que o requeria começar a trabalhar por longas horas para pagar seu caminho pela escola. A situação recentemente se elevou quando seus pais descobriram que ele havia conhecido uma moça cristã e ele a amava e estava considerando o casamento com ela e os dois possivelmente atendiam ao seminário e se preparavam para vida ministerial juntos. Seus pais o sentaram diante do resto da família e ele foi xingado e repreendido por horas. Era obvio que ele amava Jesus e sua família e aquela sua preocupação era causada por ser forçado escolher entre eles.

Expliquei-lhe que sua ansiedade e subseqüentes ataques de pânico foram o resultado de estar em conflito entre o temor do Senhor e o medo do homem. Provérbios 29:25 diz, “O medo do homem arma um laço, mas quem confia no Senhor está seguro”. De fato, a família desse homem tina fixado a armadilha em que ele estava, enquanto tentavam controlá-lo através do medo do homem. O conselheiro bíblico Ed Welch diz:

O temor, no sentido bíblico... inclui ter medo de alguém, mas se estende a manter alguém em reverência, ser controlado ou dominado por pessoas, adorar outras pessoas, colocar sua confiança nas pessoas, precisar das pessoas... o temor do homem pode ser resumido dessa forma: Nós substituímos Deus pelas pessoas. Em vez de um temor biblicamente orientada no Senhor, temos medo dos outros... Quando estamos em nossa adolescência, é chamado de “pressão dos pares”. Quando estamos velhos, é chamado de “agradar as pessoas”. Recentemente, tem sido chamado de “condependência”.

A única maneira de sair de seu pânico era temer a Deus como Provérbios 1:7 diz: “O temor do Senhor é o principio do conhecimento”. Enquanto ele não deve deixar de amar sua família, orar por sua família, e honrar seus pais enquanto guarda seu coração da amargura, ele precisava obedecer a Deus, mesmo se isso significa desobedecer a sua família. Se ele estivesse obedecido os seus pais, ele estaria os transformando em um ídolo acima de Deus como Senhor de sua vida. Por outro lado, se ele estivesse obedecido, ele deixaria de ser controlado pelo ídolo de sua família. Desde que ele estava os usando para tudo, desde o apoio financeiro para identidade e aprovação ao longo dos anos, liberá-los como ídolo lhe permitiria realmente parar de usá-los e começar a amá-los, fazendo e dizendo o que era verdadeiro e melhor para eles sem ter em conta o julgamento dele.


Se Jesus pode te perdoar, você pode também

Uma mulher revelou que tinha tido alguns abortos pouco antes de se tornar uma cristã, casando-se com um homem piedoso, e dar a luz a seus próprios filhos saudáveis. Ela explicou que tinha sido atormentada por seus pecados e não sabia como sair do poço de desespero que estava vivendo. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela explicou como confessou o seu pecado de matar seus próprios filhos a Deus e acreditava que a morte de Jesus Cristo pagou sua pena e garanti-lhe perdão. Curiosamente, eu expliquei a ela que enquanto seu pecado foi certamente grave, eu não entendia porque ela não estava apreciando o perdão. Ela disse que era porque embora Deus a tenha perdoado, ela não podia se perdoar. Eu explique que ela tinha se tornado seu próprio ídolo, o senhor, e deus funcional de sua vida. Em dizer que Jesus a tinha perdoado e ela não conseguia perdoar a si mesmo, ela estava na verdade dizendo que ela era um deus acima de Jesus. Apesar de seu Deus inferior, Jesus, estivesse perdoando, seu deus supremo, ela mesmo, não estava.


Você deve destruir seu ídolo, não modificar seu comportamento

Numa sessão de aconselhamento pastoral, um homem confessou ser sexualmente viciado em pornografia e masturbação, e era culpado de cometer adultério com sua esposa; mesmo praticando sexo homossexual. Ele estava se encontrando com um conselheiro que não era um cristão e estava simplesmente tentando modificar seu comportamento invés de destruir seu ídolo. Suas perguntas para mim foram todas sobre mudança de comportamento e estava tentando descobrir como não ter acesso a televisão ou a internet no caminho.

Para ser justo, ele sabia que o pecado leva a morte e que estava matando ele, sua esposa e seu casamento. Ele tinha boas intenções, mas tinha sido apontado na direção errada em busca de uma solução. Eu expliquei que enquanto precisamos não tentar nossa carne e que as mudanças que ele fez eram provavelmente boas, elas não foram suficientes porque a verdadeira questão não era a internet, mas a idolatria. O que ele precisava não era a modificação de comportamento, mas transformação de adoração.

Na sua condenação de idolatria, Paulo predisse o mesmo estilo de vida que este homem estava vivendo (Romanos 1:25-28). Aqueles que falham em adorar a Deus seu Criador adoram aquilo que é criado. Isso pode ser qualquer pessoa ou coisa criada, mas frequentemente é a adoração do ”eu” e do sexo. Por quê? Porque, de tudo o que Deus fez, o corpo humano é o ápice da obra criativa de Deus (Gênesis 1:21). Este fato faz suas paixões e prazeres o mais provável candidato para a falsa adoração idólatra. Em nossa época, isso inclui um vício pela beleza, pornografia, pecado sexual, embriaguez, abuso de droga, prazer das pessoas, medo do homem, e a gula como Paulo disse, uma vez que para algumas pessoas, seu deus é a barriga.

Para este homem, o verdadeiro problema era que ele estava adorando o corpo criado ao invés do Deus Criador. Ele estava quebrando tanto o primeiro quanto o segundo mandamento, que o levou a quebrar o sétimo.


Sua casa “perfeita” como um ídolo

Ao entrar na casa de uma jovem mãe cansada, ela lamentou que sua casa não estava arrumada. Ela também descreveu como orou a Jesus para que seus filhos fossem mais organizados e limpos, mas Jesus não foi de nenhuma ajuda em tudo. Enquanto eu olhava ao redor da casa, ela realmente parecia muito limpa e arrumada para ser ocupada por crianças. Havia alguns brinquedos no chão, mas que era sobre isso. Mais tarde, em nossa visita, ela realmente disse, “Tudo é perfeito até que as crianças o arruínem”.

Sua casa se tornou seu ídolo. Sempre que seus filhos deixavam um brinquedo fora do lugar ou derramavam suco, eles não estavam simplesmente pecando ou cometendo um erro. Para ela, eles estavam destruindo sua vida e vandalizando seu perfeito lar celestial. Ou, para dizer de outra forma, eles não estavam adorando seu ídolo. Então, ela orou a Jesus, pedindo-lhe que tornassem seus filhos em adoradores de ídolo, que nunca deixem nada fora do lugar ou fizessem bagunça. Sua frustração com Jesus foi que ele não respeitou seu domínio em sua casa/reino e estava se recusando a se submeter a suas regras e servir seu ídolo.

Além disso, ela estava fazendo seus próprios filhos miseráveis, com exceção de uma filha que trabalhava para manter a casa limpa, como a sua mãe, e repreendeu seus irmãos; ela estava se transformando em uma segunda geração, adoradora de ídolo de justiça própria. Para piorar as coisas, quando o pai chegava em casa do trabalho, ele pegaria uma cerveja, sentaria em sua cadeira, assistiria a televisão e se desligaria de sua esposa e seus filhos, ignorando o que estava acontecendo na casa. Seu ídolo era o seu conforto, e sua cerveja, cadeira, televisão de tela plana eram seus salvadores funcionais. Salvadores que ele decidiu adorar além de Jesus, que o queria para aplicar o evangelho a ele, sua esposa e seus filhos para que eles pudessem destruir seus ídolos e vivessem somente como adoradores de Deus; esperando o dia em que eles passassem a curtir a casa perfeita que Jesus está preparando para nós.


O coração humano é uma fábrica de ídolos

Os exemplos são intermináveis, porque como bem disse João Calvino, o coração humano é uma fábrica de ídolos. Felizmente, como procuramos e destruímos nossos ídolos pela graça de Deus, nossas vidas são transformadas em atos de adoração para glória de Deus, nossa alegria, e bem dos outros quando apreciamos e administramos as coisas criadas sem endeusá-las, e amar as pessoas em vez de usá-las.


Adaptado de Doctrine: What Christians Should Believe by Mark Driscoll & Gerry Breshears

Fonte: The Resurgence

Tradução: Phelipe