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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Conheça Seus Ídolos - Mark Driscoll



Em seu livro We Become What We Worship (Nos Tornamos o Que Adoramos), G.K Beale sustenta a tese de seu livro dizendo, “O que as pessoas reverenciam, eles se assemelham, tanto para ruína quanto para restauração”.

Porque somos criados a imagem de Deus, cada pessoa está sempre, sem exceção, refletindo tanto a Deus quanto um deus. Se não refletimos nosso Criador para nossa restauração logo refletiremos a criação para nossa ruína.

Você é o que você come

Isso explica porque um dos temas mais recorrentes na Bíblia é que os ídolos são surdos, mudos, e idiotas, da mesma forma são os adoradores de ídolos que não ouvem a Deus, não falam com Deus, nem o veem espiritualmente. Talvez a mais lendária ocorrência de idolatria em toda a Escrituras é a adoração ao bezerro de ouro em Êxodos 32. Lá, Israel é zombadamente retratado como um gado rebelde porque adoraram um bezerro e logo se tornaram como ele. Assim como uma vaca teimosa que se recusa a ir na direção certa, o Israel idolatra é “teimoso” (Êxodos 32:9; 33:3, 5; 34:9; Deuteronômio 9:6, 13: 10:16; 31:27).

Nos aproximamos da idolatria naturalmente

A idolatria começou com nosso primeiro pai, Adão. Porque Adão estava comprometido com algo além de Deus, chamado ele mesmo, ele foi culpado de idolatria. Adão colocou no curso da história   a coisa criada mais comum que adoramos em idolatria que é nós mesmos; vivemos para nós mesmos e nossa glória percebida, que na verdade é nossa vergonha, em prioridade além de Deus.

Nos Evangelhos do Novo Testamento, o ídolo que é reverenciado pelos judeus e renunciado por Jesus é a religião. Embora não haja muitas referencias explícitas a adoração do ídolo judaico nos Evangelhos, Beale argumenta que é claro que a geração de judeus da época de Cristo não eram menos pecaminosos que seus primeiros pais espirituais: “A nação judaica se orgulhava do fato de não serem como as nações que se dobravam a uma imagem de pedra ou madeira. Ainda que também seja claro que a maior parte da nação israelita não era menos pecaminosa que seus primeiros pais, especialmente porque eles crucificaram o Filho de Deus (Mateus 23:29-38).” Israel adorou suas tradições mortas ao invés do Deus vivo de acordo com Sua Palavra viva.

Um edifício não deve ser seu ídolo

Indo para livro de Atos, Lucas apresenta o fato de que na verdade o templo havia se tornado um ídolo no Israel teocrático. Jesus expõe essa idolatria quando disse que destruiria o templo. Em vez de deixarem Jesus destruir o templo, o lideres religiosos decidiram destruir a Jesus. Eles escolheram o templo como lugar de encontro com Deus em vez do próprio Deus no meio deles. Subsequentemente, Deus destruiu o templo em 70 d.C.

Similarmente, em nossos dias, o povo religioso continua em várias idolatrias quando elevam suas denominações, igrejas, ordens litúrgicas, traduções da Bíblia, estilos de músicas de adoração, pastores, sistemas teológicos, autores favoritos e programas ministeriais a um lugar onde Jesus é substituído e no qual sua fé repousa para mantê-los perto de Deus. Isso também explica porque qualquer mudança nas tradições de uma pessoa religiosa é recebida com tanta hostilidade – as pessoas tendem a agarrar-se a seu ídolos, incluindo suas igrejas que são adorados como sagrados como o templo era.

Conheça seus ídolos 

Como os judeus no tempo de Jesus, os cristãos devem estar continuamente cientes de seus ídolos. Ídolos religiosos incluem verdade, dons, e moralidade. Essas são coisas que as pessoas confiam em adição a Jesus Cristo para sua salvação, não diferentes dos judaizantes que incluíam a circuncisão ao evangelho e foram repreendido por Paulo em Gálatas como heréticos que pregavam um falso evangelho.

A idolatria da verdade talvez seja a mais comum entre aqueles que estão mais comprometidos com a sã doutrina e com o estudo bíblico. Essas pessoas são propensas a pensar que são salvos por causa de sua crença correta do que no simples fatos de que Jesus morreu por eles. Pessoas que idolatram a verdade são frequentemente culpadas de um grande senso de superioridade. Eles continuamente se divertem fazendo piadinhas sarcásticas de seus oponentes e encontram grande prazer na internet, onde ser um blogueiro bem conhecido geralmente significa que você tem que ser um idólatra da verdade, que alimenta a idolatria de zombadores religiosos, para quem a ideologia tornou-se seu ídolo.

A idolatria dos Dons talvez seja a mais comum entre aqueles mais cheios de dons e capacidade no serviço do ministério que confundem dons espirituais com maturidade e fruto espiritual. Essas  pessoas normalmente acham que são salvos por causa dons grandes dons que eles possuem – e consequentemente, sua fé – firma-se mais no fato de que Deus está usando-os do que no fato de que Jesus morreu por eles. Infelizmente, isso é comum entre os pregadores da Bíblia que fizeram de seus púlpitos um ídolo, para onde eles vão por identidade e alegria. Eles procuram a aprovação de seus ouvintes que os aplaudem e, eventualmente, o pastor cujo ídolo é a pregação torna-se o ídolo de sua congregação, cuja devoção a ele é como a um deus, e ele se torna praticamente sem pecados aos seus olhos.

A idolatria da Moralidade talvez seja mais comum entre aquelas pessoas mais bem-comportadas e religiosos decentes. Essas pessoas frequentemente acham que são salvos porque tem vividos uma vida moralmente decente, boa de devoção e obediência em vez de se verem pecadores por natureza  cujos pecados são sérios o suficiente para requeri a morte expiatória de Jesus. Tais pessoas são mais como o irmão mais velho na história do Filho Pródigo – eles são ofendidos quando a graça é dada a pecadores arrependidos que não são merecedores. As atitudes deles em tais momentos revelam seus ídolos da performasse pessoal; sua confiança última reside em suas performasse não em Jesus.

A idolatria leva ao mal

Um dos mais longos tratamentos de idolatria em todo o Novo Testamento é encontrado em 1 Coríntios 10, onde Paulo lista a idolatria como participação com demônios, que leva a todos os tipos de males,  incluindo glutonaria, alcoolismo, imoralidade sexual e murmuração. De fato, quanto mais nos comprometemos com nosso ídolo, mais nos tornamos um com ele e cada vez mais parecido com ele, para a nossa destruição. Além disso, como 1 Coríntios 10 deixa claro, nossa idolatria também desgasta nossas relações com os companheiros cristãos, dá um falso testemunho aos não cristãos e faz que outros sejam tentados a se juntar a nós no pecado da idolatria. Consequentemente, a idolatria prejudica todo tipo de relacionamento que nós temos e é um câncer mortal no corpo da igreja e na sociedade como um todo.

Confie no Criador, não na criação

Beale conclui sua pesquisa da idolatria no livro de Apocalipse, notando como esses que adoram ídolos são referidos como “habitantes da terra” (Apocalipse 8:13; 13:8, 14; 14:6-9; 17:2,8). De acordo com Beale, os “habitantes da terra” no Apocalipse não podem olhar além dessa terra para sua segurança, o que significa que eles confiam em algum elemento da criação em lugar do Criador para seu bem-estar final. Essas pessoas são chamadas “habitantes da terra” porque isso expressa o objeto de sua confiança e talvez de toda a sua existência, na medida que eles se tornaram parte do sistema terreno na qual eles encontram segurança – tornaram-se como ele. Por causa do comprometimento consigo mesmos a alguns aspectos da terra, eles se tornam terrenos e vem a ser conhecido como “habitantes da terra”.

Jesus não existe para nos ajudar a adorar ídolos

Os cristãos nunca devem esquecer que também estamos tão propensos ao mesmo tipo de idolatria dos “habitantes da terra”. A idolatria religiosa frequentemente é mais perniciosa de todas. A idolatria religiosa usa Deus para a saúde, riquezas, sucessos, etc; nessa inversão grotesca do evangelho, Deus é usado para nossa glória, como se não apenas nós devêssemos adorar a nós mesmos, mas Deus também deve ser nosso adorador. Esse tipo de pregação do falso evangelho é  evidente sempre que Jesus é apresentado como um meio pelo qual um idólatra pode alcançar seu ídolo. Exemplos incluem promessas de que Jesus o fará rico, feliz, muito bem-casado, excelente pai e assim por diante, como se Jesus existisse para ajudar a adorarmos nossos ídolos.


Adaptado do livro Doutrina de Mark Driscoll and Gerry Breshears.
Tradução: Wallace Alves

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